Dois showcases, dois territórios com histórias e perfis muito diferentes. No Jardim da Parada, em Campo de Ourique, o palco do concurso Talentos de Lisboa, organizado pela Gebalis e pela Câmara Municipal de Lisboa, atraiu quem passava, quem morava ali há anos e quem simplesmente trouxe um violão para uma tarde de domingo. Em São Domingos de Benfica, a fadista Inês Coito voltou a um showcase pela terceira vez e falou de algo que os palcos e os prémios não conseguem dar. As amizades que ficam.
Jardim da Parada: o quintal do bairro
No Jardim da Parada, em Campo de Ourique, Gustavo Pinheiro chegou com o violão debaixo do braço numa tarde de domingo. Tem 35 anos, é de São Paulo e mora na freguesia há dois anos. Costuma aparecer naquela praça às quartas-feiras com os amigos, mas naquele domingo havia jogo do Brasil mais tarde e era o momento perfeito para trazer o violão sem incomodar ninguém. A praça, diz ele, é “o nosso quintal”. Quando chegou, havia um palco. “Vou tocar no palco”, pensou, e inscreveu-se. Tocou e gostou. “A aparelhagem de som é muito boa, o técnico Gonçalo maravilhoso, deixou em dois segundos tudo muito gostoso de tocar.”
Gustavo já teve uma carreira musical mais profissional no passado e chegou ao showcase sem grandes expectativas. O que espera não é a fama. “Se me proporcionar tocar em outros palcos, se for escolhido, para mim já é muito bom. O que vier a partir disso é maravilhoso.” Para ele, iniciativas como esta têm um valor que vai além do concurso. “Quando Lisboa cria espaço para que esses talentos tenham mais palco cria cultura, e cultura atrai mais gente. É uma roda que gira.”



