No Areeiro, um vencedor voltou ao palco para convencer outros a arriscar. Em Campolide, um rapper chegou com músicas suas sobre as dores de quem ainda não foi ouvido. Na Misericórdia, dois amigos de 10 anos chegaram juntos e decidiram concorrer em separado para terem mais probabilidades de ganhar. Em Marvila, o showcase integrou-se num encontro de culturas e reuniu muitos dos talentos que já passaram pelo projeto.
No Areeiro, cultura em todo o lado
David Alexandre Chéu Cunha, o Rato Chinês, venceu a segunda edição do Talentos do Bairro, organizado pela Gebalis, depois de ter sido inscrito pelos amigos sem saber. Voltou ao Areeiro como embaixador com uma visão clara do que mudou: “A vontade de voltar a fazer música outra vez.” Está agora a preparar um EP com quatro ou cinco músicas novas, que apresentará em outubro na Biblioteca Municipal de Marvila, com mais duas ou três que “ficaram na gaveta desses tempos e que agora voltaram a ver a luz do dia”.
Sobre o alargamento do concurso a toda a Lisboa, Rato Chinês não vê perda de identidade, mas antes um upgrade: “Houve pessoas que queriam participar, mas como não faziam parte de um bairro gerido pela Gebalis, não tinham esse acesso. Com o Talentos de Lisboa, isso desapareceu.” A quem hesita, fala por experiência própria. “Nós somos os nossos maiores críticos e, muitas vezes, mesmo tendo pessoas a dizer que temos talento, pensamos sempre: está a dizer porque é meu amigo. Mas se num grupo de pessoas todos dizem a mesma coisa, se calhar devíamos explorar essa vertente.”
Pedro Jesus, presidente da Junta de Freguesia do Areeiro, destaca que a freguesia tem talento muito além do bairro municipal do Portugal Novo, “onde já existe muito talento que tem sido potenciado.”





