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Talentos de Lisboa chega às Avenidas Novas com palco aberto a toda a cidade

Daniel Gonçalves, presidente da Junta de Freguesia das Avenidas Novas

Talentos de Lisboa chega às Avenidas Novas com palco aberto a toda a cidade

O projeto que nasceu nos bairros municipais continua a percorrer as freguesias de Lisboa. No Arraial do Campo Pequeno, qualquer pessoa pôde subir ao palco. Alguns nem sabiam que o concurso existia até chegarem ali.


Publicado em 12 de Junho de 2026 at 08:00

No Arraial do Campo Pequeno, em plena freguesia das Avenidas Novas, o palco dos Talentos de Lisboa voltou a montar-se, desta vez numa das freguesias mais centrais da capital. “Nós aqui na freguesia temos muitos talentos, mas não sabiam que isto acontecia”, disse Daniel Gonçalves, presidente da Junta de Freguesia das Avenidas Novas, sublinhando a importância deste showcase como “um chamariz desses talentos que são garantidamente vários” e provenientes de várias zonas da freguesia.

Talvez por isso, faça tanto sentido para Daniel Gonçalves a mudança de Talentos do Bairro para Talentos de Lisboa. O presidente explica que “há freguesias que não são só bairros propriamente”. A sua tem o Bairro de Santa Cruz, mas é, no essencial, uma freguesia aberta. Talentos de Lisboa é, nas suas palavras, “o nome mais condigno”.

Uma convicção que se traduz em compromisso, uma vez que a parceria com a Gebalis e a Câmara Municipal de Lisboa é, para a junta, algo que vai além do apoio institucional. “Estamos verdadeiramente empenhados em que este programa vá para a frente”, afirmou Daniel Gonçalves. Com esse intuito, a junta assegurou a divulgação junto das associações e coletividades locais, trabalhando o território para que o showcase não fosse apenas um evento, mas um ponto de contacto real com potenciais candidatos.

Vai sair das Avenidas Novas um grande talento.

Para Daniel Gonçalves, o projeto é uma oportunidade que vai além do palco. Nas palavras do presidente, “proporciona a muitos jovens e adultos, que se calhar têm dotes que ninguém sabia, às vezes nem os próprios, vir aqui apresentá-los, vivê-los e, quem sabe, será o futuro de muitos deles”. Para quem ainda hesita em participar, o responsável da junta apela a que o façam sem medo “porque não só esta é uma freguesia de cultura, mas também de diversidade e de lazer. É a maneira verdadeira de poder dizer: eu sou o talento aqui da freguesia.” Daniel Gonçalves arrisca mesmo uma previsão: tem a certeza de que vai sair das Avenidas Novas “um grande talento.”

Um palco aberto a quem passa

O Open Mic, o momento em que qualquer pessoa pode subir ao palco sem estar inscrita no concurso, foi um dos elementos que mais marcaram o dia, revelando que há muita gente que tem talento e que, embora não tivessem conhecimento do projeto Talentos de Lisboa, adoraram a iniciativa e resolveram tentar a sua sorte. Nas Avenidas Novas, uma freguesia de perfil urbano e diverso, isso ficou evidente desde cedo. Pessoas que passavam pelo Arraial do Campo Pequeno pararam, viram o palco, ouviram a música e decidiram na hora.

Andreza chegou ao showcase a passear com a filha Luana, de 11 anos, e a amiga desta, Lia, de 10. Viram o palco, o cartaz, a movimentação, e decidiram participar. “Demos de caras com isto e pensámos: que iniciativa engraçada, vamos tentar”, contou. Nenhuma delas sabia que o projeto existia. Saíram inscritas. Luana dança e quer ser atriz e bailarina profissional. Lia quer cantar fado. “Cantar fado é o meu sonho”, disse com 10 anos e tudo pela frente. Andreza não ficou atrás e, também ela, subiu ao palco para cantar fado.

Alexandre Miguel Costa da Silva, 24 anos, também ganhou coragem para mostrar o seu talento. Canta desde sempre, ouve rádio de manhã à noite e aproveitou o Open Mic para fazer algo que tinha em mente há muito: cantar uma música do Fernando Daniel dedicada à avó que já não está cá. “Eu quis cantar aquela música para ela. Acho que ela ia adorar”, disse. Não se pôde inscrever no concurso por não ser residente no concelho de Lisboa e lamentou não poder concorrer. Mas não saiu de mãos vazias. “A esperança ficou ali”, disse, acrescentando que “fica para a próxima”.

O caso de Alexandre e de outros que, embora não residissem numa das 24 freguesias da capital, decidiram mostrar o seu talento ilustra uma das características do Open Mic: o palco é aberto a todos, independentemente da morada. Quem não reúne os requisitos para concorrer pode ainda assim atuar, ser ouvido e, quem sabe, encontrar ali o empurrão para dar o passo seguinte. O facto de o formato atrair pessoas de fora da cidade mostra que o projeto está a ganhar uma visibilidade que já vai além dos limites do concelho.

De volta com mais foco

Charlemagne Brutus, nome artístico de Nuno Veiga, foi um dos finalistas da edição anterior do concurso e volta este ano mais determinado. Chegou à final em 2025 sem vencer e agora regressa com outro foco. “Gostei da experiência, acho que é uma boa plataforma para todos os artistas, para quem quer divulgar o seu trabalho e fiquei feliz de ver que não sou o único que quer seguir os sonhos e objetivos”, disse. Desde então, o reconhecimento cresceu de forma orgânica. “As pessoas conseguem ver que eu realmente canto e levo esta vida da música a sério e convidam-me para cantar em festas e eventos locais. Por enquanto. Mas sempre é alguma coisa”, afirmou.

Sobre a edição anterior, Brutus é pragmático. Não ganhou, mas retira da experiência uma lição que aplica agora. “Por vezes, ganhar não é tudo. Conseguimos perceber, não só com aquilo que fizemos, mas com os erros, o que podíamos ter feito melhor. É sempre uma boa aprendizagem”, lembrou. É com essa aprendizagem que regressa em 2026, mais focado e com objetivos mais claros.

Por vezes, ganhar não é tudo. Conseguimos perceber, com os erros, o que podíamos ter feito melhor.

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O alargamento do projeto a toda a cidade não o assusta. Pelo contrário, “mais concorrência é sempre bom.” E explica porquê: “Muitas vezes as pessoas não têm oportunidade de mostrar o que realmente fazem, o que gostam de fazer e seguir os sonhos. Esta plataforma, dando a vez a toda a Lisboa, fica muito mais visível para os artistas. São mais oportunidades que acabam por ter.”

E por isso, a quem ainda não teve coragem de se inscrever, Brutus deixa a mensagem de que “não custa nada, não vão ficar a perder, de certeza, porque é sempre ganhar experiência e ganhar a oportunidade de alguém que goste do vosso trabalho vir a contactá-los”.

Quanto à Academia dos Talentos, a novidade desta edição que aguarda os 24 semifinalistas em outubro no Polo Cultural Gaivotas, Brutus recebeu-a com entusiasmo. “Nós somos artistas independentes, não temos ninguém que nos diga como fazer. E aquilo que tens na tua mente pode não ser a melhor forma de abordar a tua performance. A Academia dos Talentos é mesmo isso: aprendizagem para ter um espetáculo ainda maior”, disse.

As inscrições para os Talentos de Lisboa estão abertas em talentosdelisboa.cmjornal.pt e nos pontos de inscrição presentes em cada showcase. A grande final realiza-se no Cinema São Jorge.

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