No Lumiar, foi num jardim. Em Benfica, na praça de acesso a um centro comercial. Nos dois casos, havia um palco, um microfone aberto e pessoas que, muitas delas pela primeira vez, subiram ao palco a mostrar o que sabem fazer. Os showcases dos Talentos de Lisboa têm percorrido as 24 freguesias da capital, levando a iniciativa ao encontro de quem ainda não se inscreveu, mas que talvez só precise de um empurrão.
O formato é simples: a organização instala-se no espaço público, abre inscrições no local e convida quem já passou pelo concurso a regressar, agora do outro lado. No Jardim Professor Francisco Caldeira Cabral, no Lumiar, foi Don Fran quem deu a cara. Na Praça Central do Centro Comercial Fonte Nova, em Benfica, foi Igor D’Araújo. Os dois foram vencedores de edições anteriores e voltaram para contar às pessoas como o projeto lhes transformou a vida.
“Parece que fui eu que venci a edição”, afirma Igor, recordando que ficou em segundo lugar na segunda edição. Desde então foi à televisão, lançou o single “Vai”, disponível em todas as plataformas, e está a trabalhar num EP de sete canções chamado “Histórias de Amor”. “Graças a Deus estou a conseguir viver da música”, disse. Aos que ainda estão reticentes em participar, Igor aconselha a deixar a vergonha de lado, pois podem “perder uma grande oportunidade, quem sabe a oportunidade da vida.”
Don Fran falou do mesmo turbilhão interior que muitos candidatos sentem antes de se inscrever. “Eu andava ali no ‘eu quero muito isto, mas não tenho a certeza se tenho a coragem’. É só dar aquele passinho de coragem.” O que veio depois surpreendeu-o. “A pessoa que eu pensava que ia ganhar convidei-a para cantar um tema comigo no meu álbum e a pessoa que ganhou tem um single comigo agora.” A competição, concluiu, nunca é má quando se aproveita bem.
Para quem lhe pergunta o que pode esperar de uma participação, Don Fran responde de imediato que será a “realização de um sonho.” Desde 2024, diz, realizou sonhos que nunca esperou ver concretizados. Pisou palcos que não imaginava, recebeu validação de quem já está na indústria e percebeu que essa energia vinda de fora é a gasolina que muitos artistas precisam, mas não sabem onde encontrar. “Quem tem sonhos, eu prometo que consegue realizá-los.”
Sobre o alargamento do projeto a toda a cidade, Don Fran acredita que “os bairros não serão deixados para trás”, e acrescenta que o alargamento é também uma oportunidade para quem vive nesses territórios conhecer pessoas de outras realidades e alargar horizontes. O objetivo, resume, é trazer mais gente e mais artistas aos palcos, sem perder o carinho que o projeto sempre teve pela sua origem.
Do bairro para a cidade inteira
Esta é a primeira edição em que o projeto se chama Talentos de Lisboa e se estende a todas as freguesias da capital. Antes, com o nome Talentos do Bairro, estava restrito aos bairros municipais. A mudança de escala foi sentida pelos candidatos de formas diferentes.
Rafa G, que já tinha participado na edição anterior, resumiu bem a nova equação, afirmando que “há talento em todo o lado, não é só nos bairros. Lisboa em específico tem muito talento escondido, ninguém sabe.” A maior concorrência não o assusta, até porque “desistir não é opção”, garante.
